domingo, 24 de outubro de 2010

Viva La Vida


Há tempos realmente não escrevo no blog.

Acredito que tem hora que é necessário ficarmos quietos e repensar algumas etapas da vida.

Em muitos momentos damos importância a coisas pequenas e acabamos nos esquecendo de pessoas importantes, seja da nossa família, seja nossos amigos ou, até mesmo, aqueles colegas que não conversamos há tempos e que estamos bem distantes.

Talvez a internet e os sites de relacionamento encurtam essa distância, mas nada substitiu o bom e velho encontro presencial, com direito a olho no olho, um abraço apertado e muitas risadas.

Como escreveu um grande e velho amigo em seu MSN antes de partir "...cada momento pode ser o último e isso torna tudo mais lindo!"

Amizades ETERNAS!!!



"For some reason I can't explain..."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Movimento Salve o Casarão!


O Falatório Geral também adere essa ideia!

Salve o Casarão do Salto Grande!

Memória é o que você tem. Memória é o que você é.

Para Americana e todo o Estado de São Paulo, o Casarão do Salto Grande, o Museu “João da Silva
Carrão”, é memória. É a nossa história, é tudo aquilo que fomos até aqui.

São as marcas das pegadas dos nossos antepassados, que estão sendo apagadas pelo tempo e
também se desfazendo em nossos registros mentais.

O Casarão, que foi espaço turístico e educacional, cenário de grandes eventos culturais e momentos que marcaram gerações, está hoje fechado ao público devido ao risco iminente de desabamento de parte de sua estrutura, ainda danificada por cupins e pela umidade.
Uma ação emergencial realizada em 2009 conseguiu reconstruir todo o telhado e impedir que as
paredes de taipa sucumbissem às fortes chuvas que derrubaram tantos prédios históricos em São Paulo no ano passado.

Foi a sensibilidade de uma empresa privada - a então Ripasa, hoje Conpacel - que transferiu recursos do seu Imposto de Renda para o projeto de restauro do prédio, que salvou o Casarão uma vez.

Mas o nosso monumento ainda precisa de salvamento. Precisa abrir as suas portas para novos
estudantes, para novos turistas, para outros jovens e novos eventos. Precisa da sensibilidade de
outras empresas, devem apenas transferir uma parte do Imposto de Renda para manter este
patrimônio vivo. Precisa do engajamento da comunidade, do meu, do seu comprometimento com o salvamento da nossa memória, da nossa origem, da nossa história.

O que você sabe do Casarão?

Hoje, você pode conhecê-lo apenas virtualmente: www.casaraodosaltogrande.com.br. Se for até o
Salto Grande, atravessar a ponte do rio Atibaia e seguir em direção ao pós-represa, vai se deparar com os portões fechados.

Um árduo e longo trabalho vem sendo feito desde 2006, pode ser perdido se mais nenhum
investimento for feito até 31 de dezembro de 2010.

Esta é uma ação da comunidade para abrir as portas do Casarão. Uma ação que precisa de todos.
Este é o MANIFESTO de quem se importa.

Se você se importa, junte-se a nós.

“O que lembro, tenho” - João Guimarães Rosa

Movimento Salve o Casarão!

sábado, 28 de agosto de 2010

"Mãe que eu chamo de chão.."

Essa semana a cidade de Americana completou 135 anos de história.

A "cidade trabalho", que cresceu e se desenvolveu através da indústria têxtil, ainda hoje, mostra força no setor industrial, tendo a 4ª maior economia da RMC.

Além disso, a cidade se destaca no índice de desenvolvimento humano e é uma das cidades de referência em termos de educação.

Na área esportiva, Americana é a atual campeã dos Jogos Regionais e está entre as 10 cidades mais importantes dos Jogos Abertos do Interior.

Em seus 135 anos, a Princesa Tecelã tem grandes ambições e um futuro brilhante.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Ossos de Ouro"

"Ossos de Ouro" é um daqueles livros que devem estar na cabeceira da cama. A história de Sichan Siv, um cambojano que fugiu do inferno dos campos de extermínio e tornou-se Embaixador das Nações Unidas, representando os Estados Unidos da América.
Essa é uma daquelas histórias que você vê apenas em filme e acredita que nunca existiu, mas a realidade de um país devastado pela ideologia comunista (Vietnã) está mais próxima do que se imagina.

O livro tem uma narrativa simples, chega a lembrar um diário. Muitas vezes as memórias não fazem sentido, o que faz com que você se sinta o ouvinte do autor.

A mensagem é única: "Não importa o que acontecça, nunca perca a esperança" e acima de tudo, estude e se dedique ao máximo. A oportunidade de "ouro" pode chegar a qualquer momento.

É uma história fascinante e comovente e para quem gosta de viagens exóticas, é um prato cheio para conhecer a cultura asiática, especialmente a cambojana, e compará-la ao estilo de vida americano.
Além de conhecer o interessante trabalho de um diplomata.

O Brasil foi o primeiro país a traduzir "Golden bones". Livro que poderia sim, tornar um roteiro cinematográfico.

"Dizer o que vem à mente é LIBERDADE".

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ensaio Sobre a Cegueira


Não é uma homenagem a José Saramago, é apenas um relato sobre uma das obras mais famosas de sua autoria.
Ensaio Sobre a Cegueira, conhecido no Brasil mais pelo filme de Fernando Meirelles, é um daqueles livros que você ama ou odeia, logo nas primeiras páginas.

Com um estilo de escrever diferente e cheio de metáforas, Saramago faz uma crítica, dura, a sociedade e aos seres humanos.

É um livro que te faz pensar sobre as suas ações diárias e mostra o quanto a visão é, talvez, o mais importante sentido para o ser humano.
Não apenas a visão daquele quem vê, mas daquele quem vê e compreende aquilo que se vê.
Há muitos cegos que podem ver e muitos que não vê, mas não são cegos.

Afinal, "estar morto é estar cego".



Aos interessados, boa leitura!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Manaus, por que Manaus?


Manaus, por que Manaus?

Essa talvez tenha sido a resposta mais respondida por mim nas últimas semanas.

A resposta é simples: ela é a cidade mais diferente do Brasil.

A sensação que tive, ela é uma mistura de praia com capital, de interior de SP com interior de Minas.
E tudo isso envolvida pela maior floresta tropical do mundo.

A primeira impressão de quando você chega em Manaus, ainda no avião é: "onde é que fui me meter...", afinal, ela é rodeada por rios e floresta.
Mas ao descer do aeroporto, a sensação é de um calor absurdo e de um ar (irritantemente) puro!

Mas ainda, POR QUE MANAUS?
Simplesmente porque ela é histórica, lá é onde está a 1ª Universidade brasileira (UFAM), é lá onde estão as principais construções brasileiras do final do século XIX e começo do século XX (ciclos da borracha) e lá é a cidade que ressurgiu das cinzas, com a invenção da zona franca e atualmente é a 2ª economia do Brasil (em PIB).
Há uma mistura impressionante de séculos e um grande equilíbrio entre o desenvolvimento e a natureza. Além da cultura, que se divide entre indígenas, europeus e nordestinos, com uma pitada de paulistas.
As comidas são únicas, típicas e deliciosas.

Claro, que nem tudo é tão perfeito assim.
O trânsito é caótico (não chega a nível São Paulo, claro), o transporte público é ruim e há uma desigualdade social impressionante.
O que se percebe é que a Copa irá trazer bons frutos à cidade e que por conta do megaevento, a cidade se desenvolverá muito na área de infraestrutura (principalmente a parte de esgoto), cultural (o turismo, especialmente para brasileiros é muito deficiente) e esportivo.

Se fosse para definir em uma palavra a viagem, SURPREENDENTE seria a escolhida.

Talvez haja contestação, mas, sem dúvida, foi a cidade mais surpreendente que conheci.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Flor e a Náusea

Desde a criação deste Falatório, nunca quis fazer algo ctrlc/ctrlv, mas foi inevitável em alguns momentos escrever sobre alguns grandes escritores.
Desta vez, vou me lembrar de Carlos Drummond de Andrade, em um poema nem tão conhecido, mas que considero sensacional.

A FLOR E A NÁUSEA

Preso à minha classe e a algumas roupas,

Vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me'?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre, fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas.

Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia.

Mas é uma flor.

Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.